A Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO), seguindo os preceitos da International Society for Ecological Economics (ISEE), da qual é filiada, tem como motivação principal superar o reducionismo tanto da economia convencional quanto da ecologia convencional. Além disso, no Brasil, a ECOECO deve ir além e incorporar em sua pauta de discussões o grave problema das privações geradas pela pobreza e exclusão social e a conseqüente necessidade de superação desses obstáculos para a construção de uma sociedade realmente sustentável.
A economia convencional desconsidera o ecossistema mais amplo do qual é parte integrante e quando engloba o meio ambiente este é visto apenas como fonte de recursos naturais, como base espacial da produção e como repositório dos dejetos resultantes dos processos produtivos. Ou seja, a economia convencional não incorpora as interações ecossistêmicas resultantes dos processos produtivos e com os efeitos biofísicos desses processos. Dependendo da escala produtiva e da intensidade de uso dos recursos naturais e ambientais, essas interações e efeitos podem gerar irreversibilidades, daí a preferência da economia ecológica pelo princípio da precaução. A ecologia convencional, não obstante sua contribuição para o entendimento dos sistemas biofísicos e da compreensão que proporciona sobre a capacidade de suporte e de resiliência dos ecossistemas, não incorpora critérios econômicos em suas categorias de análise. Dessa forma, a Economia Ecológica chama para si o desafio de entender os processos produtivos inseridos em seus marcos ecossistêmicos e socioeconômicos. Para isso, de acordo com o contexto, ela utiliza conceitos oriundos da economia (custo de oportunidade; preferência temporal, substituição e complementaridade entre os fatores produtivos, além dos métodos de valoração e dos instrumentos econômicos), da ecologia (ciclo da matéria; fluxos de energia, complexidade das interações sistema/meio ambiente que se exprimem nos processos de opinião entre os componentes dos ecossistemas) e da física, especialmente, da termodinâmica (definição de sistemas e de seus limites; avaliação dos fluxos de matérias e energia por meio das leis termodinâmicas e distinção dos sistemas detentores de diferentes níveis de origem).
Nos encontros bienais e demais eventos que a ECOECO tem promovido e participado, a Sociedade já criou uma tradição de ser fórum privilegiado para o aprendizado, a atualização e a disseminação de novas idéias e conceitos que têm como foco a proposta de alternativas que superem os limites disciplinares e que gerem as bases para a construção de um pensamento efetivamente transdisciplinar. Das idéias debatidas pela ECOECO já resultaram importantes instrumentos de política, tais como o ICMS ecológico, metodologias para a compensação ambiental, instrumentos econômicos para gestão integrada do meio ambiente, entre outros.
Acreditamos, todavia, que há um enorme caminho a trilhar. Estamos ainda nos primeiros passos com muito por fazer, principalmente, no momento atual em que se aprofundam os conflitos entre a necessidade de proteção ambiental e as demandas pelo crescimento econômico. A Economia Ecológica considera que no caso de economias em desenvolvimento, como o Brasil, se trata crescer com equidade social e consideração aos limites ecossistêmicos já que há um imenso déficit social a ser resgatado, mas isso precisa ser feito respeitando os condicionantes que a natureza requer, uma vez que há riscos de irreversibilidade, ou seja, uma vez produzido o dano, dependendo de sua magnitude, abrangência e escala, não será possível restabelecer o sistema ao ponto inicial. E a Terra já está dando sinais de desrespeito a esses limites por intermédio de sua resposta ao clima.
como mensagem final gostaríamos de reafirmar que a ECOECO está aberta aos diversos profissionais e organizações que tenham como interesse comum a defesa do princípio do desenvolvimento econômico ecologicamente sustentável e que promova a inclusão social.
Para o biênio 2008-2009 estamos operacionalizando diversas atividades tais como: atualização e modernização de nossos instrumentos de comunicação (boletins, folders, home-page, livros e filmes educativos), bem como os preparativos para a criação da Revista Brasileira de Economia Ecológica (RBEE), o que possibilitará ampliar os espaços de atuação da ECOECO, com vista a maior disseminação de suas idéias e contribuição efetiva nos fóruns de discussão sobre as alternativas brasileiras de desenvolvimento econômico com sustentabilidade socioambiental. Para isso, estamos também consolidando nossas parcerias com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com o Banco do Nordeste (BNB), com a Petrobras e outras organizações, visando a conjugação de esforços e a formação de parcerias para incentivar a promoção e debate sobre economia ecológica no Brasil. Se você compartilha das idéias da ECOECO e quer contribuir para o fortalecimento da entidade entre em nosso site e associe-se!


